Olá Jecel,
On 2/28/07, Jecel Assumpcao Jr <jecel@...> wrote:
>
>
> Thiago,
>
> o Smalltalk foi primeiro usado como sistema operacional na máquina Alto
> da Xerox em 1973. Com a implementação do Little Smalltalk (e o
> lançamento do livro com este nome) e do Methods da Digitalk em meados
> dos anos 1980s começou uma tendência de usar o Smalltalk como uma
> linguagem rodando em cima de um sistema operacional convencional. Mas se
> você olhar minha list de computadores Smalltalk verá que o uso como S.O.
> continuou:
>
> http://www.merlintec.com:8080/hardware/26
Cabe uma pergunta.
Estou ciente que o pessoal do Smalltalk (Squeak em particular) dava
alta prioridade para portabilidade (ao invez de 'pseudo
portabilidades', como outras tecnologias) mas me questiono sobre o
porquê, por exemplo, do projeto Squeak ter sido iniciado como uma
aplicação, e não, como um sistema operacional de fato.
>
> Continuo trabalhando no meu projeto, mas troquei o nome de "Self/R" para
> "Neo Smalltalk" para deixar bem claro que é a mesma linguagem. Os vários
> processadores que desenvolvi não eram RISC (antes de 1999 eu estava
> usando processadores prontos como o ARM, que é um RISC) mas sim
> implementações diretas da máquina virtual do Smalltalk - as instruções
> dos processadores eram os próprios "bytecodes". Mas o processador no
> qual estou começando a trabalhar agora é um RISC para que seja fácil de
> usar programas escritos em C e não só em Smalltalk. É que além do Neo
> Smalltalk eu quero rodar o SqueakNOS nesta máquina e é importante poder
> usar as bibliotecas que outras versões do Squeak usam.
Compreendo. Mas abandonaste o caminho de utilizar um processador
voltado para os "bytecodes"?
> Também estou querendo rodar o SqueakNOS no computador da OLPC. Não teria
> vantagens práticas em relação ao Squeak no Sugar mas demonstraria que é
> possível ter uma funcionalidade semelhante com uma fração da memória e
> espaço na Flash além de incluir todos os códigos fontes do sistema.
A primeira vista, pelo menos, isso me soa bastante apelativo :)
> Note que este uso do Smalltalk como sistema operacional tem como grande
> problema a falta de proteções. Todo o sistema é aberto e sujeito a
> modificações (bom) de modo que é fácil cometer erros que derrubam todo o
> sistema (ruim) e fica complicado recuperar - normalmente o jeito e
> voltar para uma versão salva anteriormente.
Refleti várias vezes sobre isso, e pensei em utilizar o que creio ser
as mesmas convenções de um kernel tradicional: user mode e kernel
mode. Mas minha experiência a este respeito só me permite comentários
potencialmente ingênuos ;)
> O segredo é criar as
> proteções necessárias sem impor limitações. Felizmente temos mais de uma
> década de pesquisas sobre sistemas operacionais reflexivos para nos
> mostrar como fazer isso.
>
Poderia me indicar onde encontrar documentos sobre estas pesquisas?
Devo dizer que eu sou um pouco familiarizado com a historia do
smalltalk e intencionava com esta thread colocar alguns pensamentos em
perspectiva. Por exemplo, me pergunto se a utilização de um SO
smalltalk, *hoje em dia*, sobre a arquitetura intel seria um avanço ou
retrocesso, comparando com uma arquitetura especializada cujas
instruções da CPU são associadas aos bytecodes.
Mas meu ponto central é que eu acho desconcertante, por exemplo,
observar os esforços de desenvolvedores de ambientes como o KDE em
contraste com as possibilidades de um sistema smalltalk e o fato de eu
não ter encontrado muitas pessoas empenhadas neste tipo de objetivo.
Dai, um espectro das minhas perguntas sobre "ser interessante" e "ser
viável".
Minha leitura sobre o que tenho visto, lido e ouvido é: ter um sistema
smalltalk (de fato), me parece apenas "prova de conceito" atualmente,
e ter uma VM sobre um SO estabelecido, uma meta realizada e mais
vantajosa. Sobre isto, eu gostaria de estar errado (especialmente
quando penso no trabalho imenso para manter este SO que vive abaixo da
VM).
Também, tento imaginar a repercussão que se teria dado a hipotética
disponibilização imediata de um sistema operacional smalltalk (ou
Self?) sólido e maduro para PCs domésticos, por exemplo, e visualmente
mais atrativo (mesmo este último sendo a ponta do iceberg....bem...é
muito mais divertido).
Enfim....eu ainda não sei porque desgosto tanto da idéia de uma VM
sobre um SO, como o Squeak, a médio/longo prazo (sem levar em
consideração seu propósito e a função que desempenha para aqueles que
o utilizam, é claro). Me soa "falso": posso tratar "isto" como objeto
mas aquilo que esta fora da janela da VM ou do meu alcance, não posso.
Mas isto é apenas minha impressão possivelmente não-instruida.
Não vou negar que me sinto tentado a estudar e desenvolver tal SO,
embora o faria em carater particular e "para fins de estudo" (melhor
não me comprometer sem saber até onde vai minha motivação e capacidade
;)
--
Thiago Silva
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